segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano novo de novo...


Para um momento onde tudo é “festa”, o título deste texto parece um pouco pessimista. Mas, o que dizer do ano “velho”? Seria ingratidão com o ano que findou e trouxe uma diversidade de acontecimentos, sejam esses bons ou ruins, proveitosos ou não, mas, que sem dúvida trouxe muito aprendizado.
Tentando não filosofar, e não ser tão radical com as nomenclaturas utilizadas quero fazer uma ressalva do ano que acaba e deixar uma reflexão para o ano que inicia.
O ano de 2010 foi repleto de acontecimentos que merecem o máximo de nossa atenção. Pois, o ano que segue, apesar de ser novo não passa a borracha no passado e continuará sendo um prolongamento do ano que passou, não existindo assim, cortes abruptos. Logo, precisamos aprender com este ano de 2010 e tentar fazer do ano de 2011 melhor.
Começarei registrando a violência, dando destaque a brutalidade contra Elisa Samudio. Até hoje pergunto a Deus por quê esse fato foi tratado, por uma grande parte da sociedade, como uma piada. Não podemos permitir que esse tipo de prática se torne engraçada, a exemplo de um slogan que vi na internet de uma marca ração com sabor Elisa Samudio, dentre outras.                  
A natureza não deu trégua e um terremoto no Haiti matou 250 mil pessoas incluindo Zilda Arns uma mulher exemplo para nossa sociedade. Um vulcão na Indonésia foi responsável por dizimar centenas de pessoas e a conhecida chuva de monções matou 1.600 pessoas no Paquistão.
Registrou-se também, alguns acidentes aéreos como o que matou 68 pessoas em Cuba, e 103 pessoas na Líbia. A tecnologia nos apresentou o Ipad e o Iphone 4 além de televisores em 3D. E no cenário político além dos escândalos costumeiros de corrupção abro espaço a eleição da primeira mulher a presidência dos pais.
Não se pode esquecer do maior vazamento de petróleo da história que durou cerca de 3 meses, matou 11 pessoas e deixou prejuízos ambientais incalculáveis. E, o surto de cólera que deixou mais de mil mortos no Haiti. A morte do grande mito Michael Jackson.  E, ainda um dos mais emocionantes resgates da história, dos mineiros chilenos. 
Resumindo, somos seremos sociais. Não podemos estar alheios aos problemas que assolam nossa sociedade. Precisamos estar atentos para lutar contra a corrupção, contra a violência, contra as drogas, contra o preconceito. Estar atentos ainda a nossa postura frente ao meio ambiente não esquecendo as conseqüências da nossa ambição. Precisamos ser cidadãos ativos, homens e mulheres que lutam pelo bem estar de todos, que lutam pelo coletivo, que não se vendam fácil. Quando nossa sociedade acordar e passar a ver os problemas sociais como "nossos" problemas, neste momento terei um ano como novo, onde as velhas, apáticas e inertes práticas não mais existam. 

Jacques Manz

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Nada pisciana

Nada menina
Nada borboleta
Mergulha profundo
Nada peixinho do mundo.
Das américas
Dos aquários
Nada mulher
Alma de escamas
Alma de quem ama
Alma em chamas
Até debaixo d'agua
Sem mágoa
Sem trégua
Que traga
Que entrega
Nada pisciana
Contra as correntezas
Nada na certeza
Que o mar é uma gota
Tens o universo para navegar
Que amar é uma gota
                                        Gigante no solar...

 
                                                                            Jacques Manz

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CORRUPÇÃO...


Vários são os significados empregados para se definir a corrupção. “Corromper” pode significar: perverter física ou moralmente, alterar, adulterar, subornar, entre outros. Todo o ser humano está sujeito à corrupção. No entanto, quando falamos em corrupção lembramos imediatamente dos políticos. Sem dúvida a política oferece ao indivíduo, inúmeras e tentadoras oportunidades de corrupção. Mas, não é esta corrupção que pretendo abordar. É com muita tristeza que trago à luz as evidências de corrupção nos mais diversos setores da sociedade.  Ninguém está imune, nem o médico, nem o advogado, nem o policial, nem o professor.
Começando pelos policiais, são vergonhosas as cenas que assistimos diariamente nos telejornais. As críticas resultaram até em famosos filmes. Segundo a Ouvidoria da Polícia de São Paulo houve um aumento de 72% nas denúncias de corrupção envolvendo policiais civis e militares do Estado em 2009 (192 reclamações) em relação a 2008. A Polícia Civil teve mais queixas sobre corrupção - 109 contra 68 da Polícia Militar. Quais os motivos que levam alguns profissionais desta classe a se corromper? A vender suas armas para bandidos? Ainda segundo esse relatório, as principais reclamações referem-se a tráfico de drogas (47%), ameaças (13,89%), abordagem com excesso (136%), assédio moral (14%), discriminação (50), falsidade ideológica (200%), facilitação de fuga (300%), lesão corporal (13%), tortura (15%), entre outros. Você pode está lendo agora esse texto e imaginando “pobre policiais, não tem um salário digno, estão sobre pressão, são despreparados, então vamos para outro exemplo.
Existe alguma forma de se corromper na área da saúde? Pode um médico, mesmo sendo um profissional bem instruído e ganhando um bom salário, está sujeito a corrupção?
A saúde se tornou um negócio arquimilionário e os médicos continuam sendo os principais distribuidores dos produtos da indústria farmacêutica. À medida que aumentava o custo de desenvolvimento e comercialização dos medicamentos, os laboratórios intensificaram seus esforços para conquistar os médicos. Em outras palavras, a indústria farmacêutica oferece vantagens ao médico (viagens, bens materiais) para que este possa estar receitando o medicamento em questão. Quem nunca foi ao médico com dor de garganta e teve como receita um remédio de verme? Esta prática, no entanto, já tem atingindo até futuros médicos. E a corrupção já começa na própria universidade.
Vende-se diploma!
Vende-se carteira de habilitação!
Frisa-se pneu!
E mais uma leva de profissionais, do borracheiro ao concursado, estão de deliciando na corrupção.
Então, vamos para mais um exemplo. Ao longo de 2008, cresceu o número de denúncias enviadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontando corrupção, desvios e ineficiência de juízes. Segundo reportagem de Carolina Brígido, publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO, de janeiro a agosto, chegaram à corregedoria do CNJ 1.696 denúncias contra magistrados – uma média de 212 novos processos disciplinares por mês. De setembro a dezembro, foram 990 novas denúncias, o que aumentou a média mensal para 330.
Entre os novos casos, a maioria (441) reclamava de demora no julgamento de ações. Foram contabilizados ainda 267 pedidos de investigação contra juízes que teriam cometido atos de corrupção ou agido de forma incompatível com o cargo.
São pobres coitados? Têm baixos salários? E qual o motivo da corrupção?
O picolé de fruta era de essência.
O espetinho de carne bovina era de gato.
A construtora não tinha engenheiro.
A nota fiscal era falsa.
A cédula era falsa.
E mais uma leva de profissionais vão se prostituindo.
A notícia do jornal era aleivosia. A fofoca da revista era sem fundamento.
O prédio fora construído com areia da praia.
A agência de turismo não existe.
O buffet não chegou a festa.
O compositor teve sua letra roubada.
E, mais uma leva de atitudes perversas vai chegando ao nosso conhecimento diariamente. Da menor e menos lucrativa prática até as maiores e milionárias.
O professor barganhou sua ideologia. O aluno colou na prova.
Como assim? Ah, fala sério! E o que tem a ver cola com se corromper?
Vejam esta: nos países onde há mais corrupção, os alunos também "colam" mais.
Vivemos numa sociedade cada vez mais corrompida, onde o dinheiro tudo compra. Uma sociedade do consumo, o qual para ter dinheiro para se satisfazer tudo é possível.
A cultura do “dar-se um jeitinho brasileiro” nunca fora tão catastrófica.
Balança enganosa.
Propina.
Quebra de sigilo fiscal indevidamente.
Made in china
Made in “falsification”.
Made in Paraguai.
Desmonta-se no Paraguai
Desmonta minha honra.
Desmancha minha vergonha.
E o mercado vendeu mercadoria vencida.
E o bancário extraiu dinheiro da conta de clientes.
A prova do ENEM vazou.
O gabarito do concurso para juiz foi vendido.
Ou pior, o futuro juiz comprou o gabarito.
 Quem não se corrompeu, assim o fez por falta de oportunidade ou por certezas de seus princípios e ideologias?
Não tiremos os olhos dos políticos, mas repensemos as nossas práticas, para a busca de uma sociedade mais justa e menos corrupta. No qual possamos confiar uns nos outros, ajudar uns aos outros.
A corrupção começa na minha casa, e termina no Palácio do Planalto.

Jacques Manz








sábado, 11 de dezembro de 2010

A úlima refeição



O salso de sua comida
Água quente para beber
O sabor insosso dos carinhos
O balde de água fria.
 A inversão
Dos valores
A contradição
Dos pudores
A concentração
Dos poderes
Eu inerme, peão
Você alentado, vilão
Onde ficou o banquete?
Com rosas de enfeite.
E a água que me refrescava?
Quem come o que foi meu?
No “breu”
Quem usa minha taça?
“Tripudia” da minha desgraça.
A encenação
Dos amores
A enganação
Dos atores
Como o enredo se desdobra...
...o fim da obra.

                                            Jacques Manz

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

La préparation de l'amour

                                                                                                                     J. Manz
                                                                                                                       
Je veux rester
Dans votre coeur
Entre vos pensées.
Combien peut coûter
Être en face de vous?
Et avoir votre amour?
Je veux passer
Par vos rêves
Et oublier le chemin
Pour ne pas retourner.
Je veux continuer
Au milieu de votre attention
Et à côté de vous
Je serais la préparation
De l'amuor pour toujours.


                            Jacques Manz

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bouquet de sol e cor


Plantei um pé de sol
Para dar-te bouquet
Não ficarás mais só
É meu “impossível” para você.

Ele te aquecerá em dias frios
Iluminará seus caminhos
Um banho de sol e rios
Um presente sem espinhos.

Coloque-o no criado mudo
Ele acenderá nas manhãs
A noite apaga tudo
Eles serão seus fãs.

Prometo-te por fim a lua
Um eclipse de amor
Meu corpo em sua alma nua
Bouquet de sol e cor.

                                           Jacques Manz

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cometa solitário



Quero morder o céu
Como a um pedaço de chocolate
As estrelas são cristais com mel
Junto a pedacinhos de Marte.
Escorre em minha boca o leite
De engolir de vez uma galáxia
Laticínio cremoso que deleite
Um gozo na Via-Láctea.
Um buraco negro de mistério
Sabor perdido num vácuo de tristeza
Anéis de saturno como refrigério
Encaixam no dedo da princesa.
Eu existo no universo?
Noite sombria
Sou cometa sou perverso
Deusa de Vênus nua e fria.
Em qual planeta ficou a perfeição?
Para onde te levaram
A eternidade me privou da ação
Sou mais um, entre todos que te amaram.
Dobro o céu
Como a um pergaminho
Escrevo-te ao léu
E sigo sozinho o meu caminho.


                                                 Jacques Manz

sábado, 27 de novembro de 2010

Mosaico



Estou num emaranhado de rabiscos
Na confusão de um mosaico
Sou a incerteza da forma
O erro no cálculo geométrico
A ausência de simetria
O futuro e o pretérito
A desordem na periferia
A imagem obscura na retina
O som com ruídos
Uma tela abstrata
A tecnologia e um primata
A involução
Hoje dominado
Por minhas criações
O pecado de Adão
Perdido no tempo
E no espaço
Entre guerras e lágrimas
Entre fome e falta d’água
Falta amor
A quem sobra o dinheiro
Resta a miséria
Ao mundo inteiro
Sou o “não sei mais o que fazer”
Sou o fim da raça
A desgraça
De ser consumido por meus atos
Do suicídio
Ao queimar minha casa
Ao contaminar minha água
Ao explodir o mundo
Buummmm...
Quem quer dinheiro?
Agora saque no inferno
E barganhe com o diabo.


                                     Jacques Manz

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fogo e gasolina



Atrito pedra com pedra
Fogo
Atrito meu corpo em teu corpo
Queima
Seu calor absorve o meu
Somos um só corpo em
Flama
O vai e vem na cama
Esbraseia
O suor é como combustível
Incendeia
Fogo e gasolina
Ustão em mim
Transpira parafina
Derreta-te como uma vela
Pinga em mim
As faúlhas
Aumenta meu fogo
Você centelha
Eu fogueira
Vamos arder na noite
Ser brasa ao amanhecer
Amor de fogo
Fogo de prazer
Prazer em chamas
Se tu me chamas
Se tu me tocas
Se tu me amas.

                                                       Jacques Manz

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Abstinência



                                                                                    Desenho Jacques Manz
Tu que me privastes
Os beijos
Tu que me negastes
Os carinhos
Tu que se desviastes
Do meu caminho
Não me prives de sonhar
Nem me ocultes a rima
Desapareças de mim
Destrua minha obra prima
Versos de quem passa fome
De quem precisa mendigar
O amor que come.
Hoje com chapéu na praça
Uma moeda de pirraça
Uma nota de sumiço
Amanhã com chapéu vazio
Sem teu amor vadio
Devolva o que levastes
Não me reconheço no espelho
Clamo por penitência
Onde enterrara minha essência?

                   
                                                               Jacques Mannz

domingo, 21 de novembro de 2010

Triângulo amoroso



                                                                                     Desenho: Jacques Manz


Sou ângulo reto
Três lados é demais
Para que tantos vértices?
Um nunca te satisfaz.
Colorindo multidão de desejos
Pinto suas vontades tortas
Controlo meu ciúme preto e branco
Risco sua moralidade remota.
Pontas para todos os lados
Você não sabe aonde ir
Seduz-me com armas fortes
Prende-me não me deixa partir.
Triângulo amoroso
Somos nós na aquarela
Mistura de tons
Com a vaca amarela.
Congruência
Simetria
A cama está pequena
Assino a carta de alforria.

                                                        Jacques Manz





sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quando fim...



Quando frio
Sou rio
Remanso de água quente
Doce, interflúvios na mente.
Quando sonhar
Somar
Caldos e afogados
Sou má.
Quando menino
Traquino
Quebro seus brinquedos
Segredos e medos.
Quando Lua
Menstrua
1/4 crescente
Fertilidade dormente
Sou crua.
Quando sol
Irradia
Esconde no horizonte
Atrás de mim, monte
De amores e fantasia.
Quando talvez
Saraiva
Sua dúvida
Minha raiva.
Quando fim...


                                         Jacques Manz

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

L'amour paradoxal



Mon appui
Ton indifférence
Nos bagarres
Ma dévouement
Tes entêtements
Notre faillite
Ma démence
Ta insesibilité
Notre infortune
Ma patience
Ta transgression
Notre desaffection
Mon zéle
Ton mépris
Notre angoisse
Ma dignité
Ta pitié
Notre dénouement

                                            Jacques Manz

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

L'art d'aimer



J’offre ma vérité
Dans une coupe de vin
Bois-tu de mon amour
Jusqu'a te saoûler de moi.
Je peindrai ton visage dans les nuages
Tu seras ma oeuvre d´art
Je serai ton créateur
Nous serons complices
Apprenti et professeur.
Vin est art
Peinture est art
Tu es une oeuvre d’art
Je peux rester sans boire
Je peux rester sans peindre
Mais Je ne vis pas sans toi.

                                                                                            Jacques Manz

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quando tudo acaba



Um beijo da serpente
Um bote do beija-flor
Uma rosa com espinhos
Pétalas ferindo o caminho.
Corta meu coração com navalha
Mas não o afague com aleivosia
Não quero no peito a medalha
E no pódio a hipocrisia.
De um “não amor”
De um “seja o que for”
Que seja longe de mim
Bem no fim
Onde tudo acaba
E a fonte secou
Onde a farsa desaba
Para você acabou.

 
                                        Jacques Manz

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Biscoitos de argila

       

- Vamos brincar de casinha João?
        Pergunta uma mãe haitiana tentando minimizar o sofrimento de seu filho faminto e  desnutrido. Senta aqui que mamãe vai preparar seu café da manhã. Então, caminha a passos trêmulos a jovem esquelética aparentando uns 53 anos e pega uma bacia velha. Coloca um pouco de água suja, lança uma gordura estranha parecendo uma margarina e acrescenta argila.
            Mistura todos os ingredientes, e as lágrimas que rolam em sua face, caem na bacia dando gosto salgado à massa. O gosto da angustia, do desespero, da falta de esperança, do esquecimento, da fome. Que sabor tem a fome?
           Logo depois, ela pega um pedaço da massa faz um biscoito redondo e põe para secar ao sol.
          - Pronto meu amor, o café está pronto.
          Então a brincadeira acaba. Mãe e filho se deliciam com aquela obra da natureza. Obra que nem o mais renomado mestre da culinária imaginaria. Obra esta, que é fruto de uma sociedade perversa que enquanto alguns se deliciam com caviar e saboreiam champagnes milionários e outros reclamam do seu diário feijão com arroz, outros seres iguais a nós estão fadados a saborear o ácido e insosso sabor da indiferença, do egoísmo e da crueldade de um sistema que para regar alguém com ouro precisa sugar a alma de outrem, até a mais faminta delas.
          Alguém aceita um biscoito de argila?

 
Jacques Manz



sábado, 6 de novembro de 2010

A virtude da fraqueza



Quando a fé falha...
Quem restará?
Quando a esperança morre...
Quem dará o final feliz?
Quando os braços não alcançam...
Como conquistar?
Quando as pernas tremem...
Como permanecer de pé?
Quando os olhos se fecham...
Como vê a vida passar?
Quando as mãos estão enrugadas...
Como fincar a bandeira?
O que seriam das respostas
Se não houvesse as perguntas?
E o que seriam das perguntas
Se não houvesse a dúvida?
O que seria da dúvida
Se não houvesse a fraqueza
O que seria da fraqueza
Se não houvesse da humanidade?
Onde se perdeu a humanidade?
Quando a fé falha...
Resta a grandeza do universo
E a perfeição da célula.
Quando a esperança morre...
Passa-se a agir.
Quando os braços não alcançam...
Utiliza-se um podão.
Quando as pernas tremem...
Rasteja-se.
Quando os olhos se fecham...
Sonha-se.
Quando a mão está enrugada...
Finca-se experiência.
O que aconteceria
Caso tivéssemos super-poderes?
Se ainda existimos
É porque somos fracos.

                                                                      Jacques Manz

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arcanjo Miguel



Anjo meu
Sorriso safado
Anjo mau
Canta-me um fado.
Leva-me ao céu
De seu doce sorriso
Anjo meu
Pedaço de paraíso
Anjo mau
Que voe o pardal.
Quando me perdi
Te achei
Sentado sem asas
Olhos tapados
Lábios de brasa.
Queima meus pecados
Anjo meu
Eu envenenado
Anjo mau
Com o colonizador encantado
Compro-te um pedaço do céu
É anjo tal, é anjo mel
És arcanjo Miguel.

                               Jacques Manz

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para: Mab Manz

           

              Tenho me esforçado para escrever a alguns dias. Mas, sinto-me tão vazio. Como se a fonte tivesse secado. Nada surge de novo. Nada me anima. Deleto ferozmente todas as letras que saltam na agilidade dos meus dedos no teclado, pois elas não me passam verdade, não me passam sentimento algum.
             Desta forma, deixo a arte de lado por um momento, e parto para um desabafo. Sinto falta de minhas raízes, dos meus amores, da minha identidade, dos símbolos e significados que tem sentindo para mim. Sinto falta de um ser mágico que amo com todas as minhas forças. Sinto falta do seu sorriso. Sinto falta de sua atitude protetora a zelar por mim a todo tempo. Sinto falta do seu feijão, o mais gostoso que já comi na vida. Sinto falta de você mãe.
            Eu que sempre me achei forte, e por hora insensível agora provo nas minhas lágrimas de saudade a dor te não ter seu sorriso pela manhã e não ouvir sua voz a me gritar pela casa.
           Escrevo para ti. Escrevo com minha alma gritando por seus carinhos. Escrevo com aperto em minha mente, aperto que me roubaram as palavras e que me confunde as idéias. Escrevo para o amor mais lindo da minha vida, o mais verdadeiro, o mais forte, o mais sublime, aquele que me traz refrigério, aquele que me faz mais vivo, ao seu amor.
            Deus fora tão bondoso para mim, que me deu como presente um ser tão evoluído para que eu pudesse me espelhar e também evoluir. Os dias sem sua presença não são os mesmos, eu posso estar feliz em não te ter ao lado, mas jamais estarei completo.
           Faltará a parte mais importante, a que me deixa seguro, a que me faz pisar firme no chão, a que me faz cantar, a que me faz rimar!
         Sinto muito sua falta, amo-te demais MÃE.


                                                                                       Jacques Manz

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Babados...



              Você viu o cabelo horrível de Beatriz? Já reparou na saia curta de Vanessa? Ficou sabendo que Marina tem um caso com o patrão casado? Percebeu como a Manuela está imensa de gorda, acho que ta grávida? Reparou que Artur não “pega” ninguém? Já observou como a irmã de Paulinho é uma piriguete? Já a irmã do Roberto parece que virou lésbica. O Antonio que comia todas as meninas da cidade foi visto com o Glauber, aquele gay da pastelaria. A Ana está tentando furar o olho de Karla. Mas, todos sabem que o namorado da Karla é gay. Fiquei sabendo que o padre esta “comendo” a freira. E que Marcão o caminhoneiro tem 5 esposas em cada estado, mas que leva chifre de sua esposa com o Kaique filho da Maria que vende acarajé.
             Resumindo: Parece que a vida alheia tem um gosto especial, mais do que a nossa própria vida. Criamos até uma palavrinha que substituiu com classe a chamada “fofoca”. Com tanta classe que não soa feio. Contar um babado é interagir, é está por dentro. E todo mundo está babando. Nunca babamos tanto, com tanta perversidade que se a baba fosse veneno estaríamos extintos. Mas, porque essa necessidade de falar da vida alheia?
             Penso que, se alguém propaga algo alheio que está encoberto, no mínimo tem a intenção de tornar público. E se o alguém que encobre algo socialmente não muito aceito, assim o faz para não ser ridicularizado. Ou seja, quem conta o que está encoberto o faz para ver o outro ridicularizado.
E, por que a necessidade de ver o outro sendo ridicularizado?
Isso me tiraria do foco? Ou me deixaria mais importante? Ou, eu seria melhor em algum aspecto, já que não estou cometendo tamanha atrocidade?
             Vou te contar, mas pelo amor de Deus não conte para ninguém. Quem nunca ouviu essa frase? E quem nunca propagou o que escutou minutos depois de saber o fato e ouvir essa célebre frase? E por que ainda a dizemos? Seria uma forma hipócrita de preservar o outro que em verdade não queremos preservar? Ou uma forma de ser bom, duas vezes. Uma por não fazer o que fulano fez e outra por não querer que os outros fiquem sabendo o que ele anda fazendo.
            Mas não quero mesmo?
           A pergunta que não quer calar. Em que serei acrescentado em saber ou propagar que o padre está “comendo” a freira?
           E quando somos alvo da fofoca ou do babado, qual a sensação que temos? De revolta? E quando além de fofoca é calúnia? Com as famosas expressões: eu acho que, parece que, tudo indica que e a pior de todas: fiquei sabendo que... Pois, além de propagar algo que não tenho certeza ainda estou me livrando da responsabilidade da veracidade do fato.
         Para terminar que tal lembrar os pronomes possessivos?
Minha privacidade...
Sua privaciade...
Nossa felicidade...
Minha vida...
Sua vida...
Que tal cada um cuidar da sua?

Fofoca: não propague essa idéia e tenha uma vida mais saudável-

                                                                                                    Jacques Manz



domingo, 24 de outubro de 2010

Como gato e rato



Cama de gato
Maca para tosco
Caminho de rato
Queijo barato

Eu gato na cama
Você tosco não se manca
Percorre o labirinto pequeno
Morre no queijo com veneno.

Eu gato de cama
Você tosco agoniza
Todos os caminhos te levam a mim
Gato e rato nunca foram afins.

Eu gato em coma
Você envenenado dentro de mim
Comi na maca o rato tosco
Tu faleces com meu veneno
Eu morro de desgosto.

 
 
                                                                                                              Jacques Manz

sábado, 23 de outubro de 2010

Paris



Excusez-moi
Foi como sonhar
Un brèsillien
Brilhando além
Dans les rues de Paris
Cheio de graça a sorrir
Entre Notre Dami et Mulin Rouge
Onde no peito urge
La felicité
De apenas ser
Debaixo da Torre Eiffel
Olhos de mel
Doux et Brilhante
Pardon Monseur
Eu não entendi
À droite?
No baianês vamos lá
“to querenu ver o Luvri”
Je ne comprends pas
Deus me livre, deixa pra lá.
Une photto s’il vous plait
Sorriiiii
Merci, merci
No céu de Paris o luar
Au revoir

                            Jacques Manz

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dona América

Saudade dona América
És mulher prendada
Farinha boa
Domingo de feijoada.

Samba América
Filhos latinos do Sul
Sorriso fácil
Sol forte, céu azul.
Rica amém
Rima Meca
Riqueza verdadeira
És tu América.

Tu guardas meu país
O que sou, estás em ti
Longe de ti América
Há uma crise de identidade
[em mim.

                                                              Jacques Manz

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Expectativas


             Sonhei em ganhar uma bicicleta de natal. Idealizei a sua cor, seu tamanho, o modelo de suas rodas, todos os detalhes. Ela estava bem desenhadinha em minha mente. Chegando o natal o bom velhinho mandou-me a sonhada bicicleta, mas ela não era nada parecida com a que eu tinha sonhado. Logo, me veio à frustração. Era uma boa bicicleta, todos os meus vizinhos queriam ter uma daquela, mas eu não estava satisfeito. Coloquei-a no quarto e não usei. Cresci com a bicicleta guardada no pequeno quarto dos fundos, onde ficava toda a bagunça. Certa feita um primo pegou a bicicleta e saiu andando feliz como se esta fosse à melhor coisa que ele fizera na vida. Agora adulto, vi o tempo fazer com que a ferrugem acabasse com a bicicleta e hoje ela não passa de um pedaço de ferro enferrujado que não posso mais usar.
            Um dia sonhei em ter um grande amor. Idealizei suas características, seu comportamento, queria alguém inteligente, gentil, que me acordasse com café na cama, que fosse fiel a mim e me dissesse todos os dias eu te amo. Então apareceu você! Lancei sobre ti o fardo pesado das minhas idealizações. E logo veio à frustração. Você era completamente diferente de tudo aquilo que idealizei. A minha forma de amar não era igual a sua, mas isso não significava que eu te amava mais ou menos. Várias pessoas gostariam de ter você. Mas, eu não estando satisfeito coloquei você no quarto dos fundos, no esquecimento. Um dia vi você de mãos dadas com outra pessoa, e esta pessoa parecia ser muito feliz contigo. Mas, hoje vejo que o tempo fez com que o amor que sentias por mim enferrujasse e eu não mais poderia te ter.
             Quando se cria muita expectativa, quando se idealiza demais e de repente se percebe que o outro não era a perfeição que imaginamos, quem está errado? Provavelmente que idealizou.
             Das expectativas, das idealizações, das cobranças vêm as frustrações.
            Não que o idealizar esteja de todo errado, mas fazer com que alguém real, caiba na forma utópica que criastes não parece ser uma tarefa fácil. Até porque dessa forma você nunca vai amar alguém real. Vai amar alguém fruto de sua imaginação. E isso além de egoísta e completamente surreal.
            Esteja mais aberto ao amor. Deixe de lado tantas expectativas, sendo assim poderá se surpreender. E se surpreender pode ser bem melhor do que ter algo que já esperavas.

 

                                                                                                         Jacques Manz



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Acabaram-se os jardins




CRAVO PERFUMADO
MEUS PUNHOS NO MADEIRO
ROSAS VIOLETAS
VIOLENTARAM-ME.
EU QUE DERRADEIRO
MORRI DE AMOR
SORRI EM MORRER
AMEI SEM PENSAR.
O CRAVO E A ROSA
QUEM FOI MAIS PERVERSO?
COM A SEXUALIDADE PELO AVESSO
CRAVEI NA ROSA
FUI TRAVESSO
ESNOBEI A MOÇA
HOJE DESPETALADA.
CRAVO PERTURBADO
MINHA ALMA DE FORASTEIRO
EM SEU CORAÇÃO ARTEIRO
ROSAS DE MARTE
DAÍ-ME ESPERANÇA
UM MARTIR EM GLÓRIA
QUEBRA DE ALIANCA
ESTE É O FIM
O CRAVO BRIGOU COM A ROSA
ACABARAM-SE OS JARDINS.


                                                                    JACQUES MANZ

sábado, 16 de outubro de 2010

Tudo que não se deve fazer



Quando encontro você
Eu me perco
Não sei quem sou
Nem para aonde vou.

Sei apenas o que faço
Adorar você.
Coração de aço
Bonito vestido laço.

Laçou-me
Estou amarrado em ti
Presos as suas vontades
Aproveitas da minha bondade.

Eu sou infeliz sem você
Mas tenho identidade
O que mais vale?
Saber quem sou ou ter felicidade?

Deleto hoje meu nome
Serei sua sombra
Seu escravo feliz
E você para sempre minha ama.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Carta na manga



Carta na manga
Sou trapaceiro
Você madura
Eu que sorrateiro
Sempre ganho
Perdi você.
Embaralha-me
Não sou carta descartada
Com seu terno vermelho
Faz-me canastra.
Estou num buraco
Pega-me do morto
Dá-me vida
Carta na manga
Roubei no jogo
Fiz seu jogo
E ainda assim perdi.
                                                                                                   
                                                                                                   Jacques Manz

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dependente emocional



E quando dei por mim não era amor. Era qualquer coisa menos amor. Eu sofria como se a vida fosse um fardo pesado a ser carregado a cada dilúculo. Eu ridículo, submetia-me a várias atrocidades e você sem a capacidade de amar fazia-me refém. Com deboches e desdém dizia me amar, com o sorriso falaz, de quem não amava nem a si mesmo. Mas, eu já estava completamente envolvido com o personagem que tu criaste permutado com o personagem que eu idealizei que fostes.

Esperava a hora sagrada em que recebia suas ligações. E pelos dias sacrossantos em que estaria ao seu lado. Acostumei com a forma carinhosa que me apelidastes. Até mesmo com a indelicadeza rotineira. Eu não aceitava ficar sem nada isso. Ainda que custasse a real felicidade.

Isso se chama amor?

Lembrava-me de um primo dependente químico. Ele estava tão pendente da droga, aos momentos instantâneos de prazer e a todos os outros posteriores que ele já não se via mais sem ela. Ainda que ela o definhasse aos poucos, como uma máquina de tortura que arranca os pedaços de suas unhas, os dedos, a mente, a alma. A droga o destruía, mas o momento de prazer... Sim aqueles minutos alados, que o faziam delirar eram mais forte. Assim, sou eu e você. Faz-me delirar em minutos, faz-me cair em abismo no minuto seguinte, e me destrói nos minutos próximos.

Que dependência é essa?

Não sou refém do amor, nem da paixão. Sou refém emocionalmente, dos hábitos costumeiros. Sou dependente de sua presença, ainda que tu sejas uma droga forte a exterminar-me.

Eu amei a idéia de não te perder, de ter você sobre minha custodia, de você não ser de outro. Amei a idéia descabida de ter sua presença mesmo sem ter você.

Dependente emocional. Não quero mais tragaste, nem cheiraste, nem bebeste.

Vivo um processo de desintoxicação.

Vivo melhor sem você.


                                                                                  Jacques Manz

sábado, 9 de outubro de 2010

Um sorriso seu



Sorria minha vida
Sorriso de alacridade
Gozar de forma incontida
Alegria na adversidade.
Atenta-te ao azo
Delicia-te com a tragédia
Para extrair o melhor do caos
E ter a felicidade sem prazo.
Não sorria apenas com piadas
Sorria quando a dor for grande
Quando a vida lhe der palmadas
E derrotadas for por gingante.
Sorria ainda que chorando
Chore sorrisos em lágrimas
Lave-te em gargalhadas
Ria de mim
Da minha cara de tolo
Da minha preocupação
Do meu simples coração
Prefiro ver-te sorrindo
Do que ter-lhe triste nas mãos.


                                        Jacques Manz

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Colorindo o esquecimento



Cores ligeiras
Rápidas na aquarela
Pinta-me os pensamentos
Colorindo o esquecimento.

Torna meu sentimento
Em cachoeira
Meu amor em poeira
E minha esperança num sol de verão
Faz do escuro um clarão
Do vácuo a gravidade
Atrai do pincel a felicidade.

Colore a imagem
Preta e branca da solidão.
Com pássaros voando para o sul
Amores em bando para o norte
Eu apaixonado de azul
Num balde de tinta a própria sorte.

Pinta-me em arte abstrata
Quero enfeitar uma nova parede
Venda-me numa exposição barata
Eu apaixonado de verde
Verde de esperança
Na esperança de esquecer-te.

                                                    Jacques Manz



sábado, 2 de outubro de 2010

Cara várias partes




Metade eu
Outra metade um cara
Uma cara?
Confunde-me o português
Um português?
Metade minha
Metade dela
Ela?
Confunde-me o gênero
Efêmero
Sou de caras
Sou de lua
Não tenho metade
Tenho partes
Várias partes
Uma sou eu
As outras são artes
Artes minhas
Artes alheias
“Ninguém”,  me completa
“Vários”,  me preenchem
Eu sou a soma
Da minha metade
Com as partes
Da manhã
Com as tardes
Da igreja
Com os frades
Cara metade
Cara de pau
Cara (de) alho
Alguém na vida
Teve apenas uma metade?


                                                                  Jacques Manz