terça-feira, 31 de agosto de 2010

DESENCONTROS...




É no escuro que eu me encontro
Na água que me queimo
É sem girar que fico tonto
Pra te contrariar é que eu teimo.

É no fogo que eu me afogo
É no calor que sinto frio
São em seus braços que me despojo
Assim como o mar invade o rio.

Durante a noite eu quero o dia
No nascer do sol eu quero o luar
Sempre que eu ia você vinha
E é quando odeio que quero te amar.

É no suspirar desejo
É no desejar suspiro
É no amanhecer sem beijo
É sem te beijar que não respiro.

É arrebatando seu coração
É no meu coração arrebentado
É tocar a sua alma por paixão
É apaixonar-se sem na alma ser tocado.

Agora entre por essa porta
Olha nos meus olhos e me convença
Que não é minha vontade torta
Que alimenta nosso amor na diferença.

Eu quero o escuro, a água, o fogo, o calor
Eu quero o dia, o luar, o beijo seja onde for
E mesmo na incerteza do meu querer
Arde em mim a eterna convicção
Não importa a estação que aparecer
Amar-te me alimenta e eu nasci pra viver você.

                                                                                       Jacques Manz

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estrela Cadente

Uma estrela rabiscou o céu numa noite escura. Pedi para que ela me levasse até você. Ela brilhou por pouco tempo e logo se desfez. Fiquei perdido no meio do caminho. Estava escuro, frio e sozinho. Deitei próximo a uma árvore, me encolhi e fiquei admirando as folhas dançarem no compasso do vento. Então começou a viagem.
A estrela voltou a brilhar forte. Eu a segui durante semanas e conheci uma infinidade de caminhos. Paisagens maravilhosas, riachos, flores de cores variadas e perfumes divinos. Os dias passavam e nada de encontrar você. Olhei para o meu corpo. Estava sentindo dores e percebi alguns arranhões. Minha calça branca tinha marcas de sangue. Estava tudo muito confuso, mas eu não parava de andar buscando você.
Cheguei num jardim mágico. Não sabia o nome das flores ali existentes. O silêncio era absoluto e logo avistei você. Seus cabelos cacheados eram marcantes. Fui me aproximando e você virou sorrindo para mim. Que sorriso! Era um misto de luz e paz. Ajoelhei aos seus pés e lhe pedi perdão. Você não sabia o motivo do perdão e eu comecei a enumerar:
- Perdão porque eu nunca te dei a atenção devida. Perdão pela brigas ocasionadas pelo meu egoísmo e minha falta de cumplicidade. Perdão porque fiquei cego nos meus anseios e me esqueci de te ajudar nos seus.  Perdão por não ter retribuído o sorriso pela manhã ou nunca ter tido a iniciativa de dizer eu te amo.
Eu chorava aos seus pés e minhas lágrimas regavam seus pés brancos e descalços no campo verde.
- Perdão porque te fiz chorar. Perdão porque eu não soube lhe dá o valor que você merece. Perdão pela minha frieza, pela minha indiferença, pelas palavras que te feriram, pelos aniversários esquecidos.
Levantei-me lentamente segurei a sua mão, olhei profundamente nos seus olhos e disse:
- Eu nunca amei alguém como você. E não serei capaz de amar novamente assim. Juro-te amor eterno minha vida.
Mais uma vez você sorriu e junto caiu uma lágrima. Foi quando abri os olhos. Eu já estava a algumas semanas em coma. E esta era a última imagem que tinha de você.
Sofremos um acidente de carro na volta de uma viagem. Estávamos brigados porque ela não queria voltar naquele dia. Ela morreu no acidente e eu não pude fazer mais por ela o que hoje sinto muita necessidade de fazer. Acordá-la com um café da manhã e uma rosa. Ir ao cinema ver um filme de amor. Comer uma pizza no domingo à tarde. Ver o sol se pôr ouvindo as ondas quebrarem na praia.
Hoje faz 15 anos que a perdi. Nunca amei outra pessoa. Como queria ter ficado contigo a eternidade naquele jardim.
 Hoje, mais uma vez uma estrela rabiscou o céu escuro. Essa estrela é você. Escreveu claramente na escuridão: Amo você mô.
Seguirei eternamente essa estrela. Em breve lhe encontrarei.


                                                                                                         Jacques Manz


domingo, 29 de agosto de 2010

Tarde para amar

Escrito nas estrelas
Um amor para sempre
Achando imortal, descuidou
Ontem doente
Hoje escrito na lápide
Aqui jaz um amor
Agora queres ressuscitar?
Tarde para amar

Sentimento em decomposição
Nutre a flor que desabrocha
Voltarei com perfume de rosa
Fincada firme na rocha
Quem me terá no jardim?
Feliz de quem
Terá o melhor de mim.
Infeliz você que nada tem.

Sentimento nas estrelas
Um amor que desabrocha
Achando imortal o perfume da rosa
Ontem fincada na rocha.
Escrito na lápide do jardim
Feliz de quem tem meu amor
E o melhor de mim ressuscitar
Infeliz de você que se atrasa para amar.

                                                                                                                 Jacques Manz

sábado, 28 de agosto de 2010

Fórmula perfeita


Em qual fórmula tu te escondes?
Quais as ervas combinam seu cheiro?
Tens uma química poderosa
Olhar retirante, juventude da rosa.
Ora menina que “falácia”
És forte, sabe o que quer
Chamaria-te de farmácia
Uma simbiose de mulher.
Cabelos negros da noite
Minha morena
Não és Iracema
Bem que se quis
Sempre te quis
Pequena Khice.
Conquistou de imediato
Viciou como forte droga
Deu-me o ultimato
Foca-te esta é a hora.
Tanta sabedoria
Logo a adoraria
Mente brilhante
És Diamante
Reluz Diane.
Em qual fórmula tu te escondes?
Cura-me por homeopatia
Graciosa, simpatia
Um amor amigo
Para sempre um abrigo
Brilha Diane
A inveja que se dane
Revela-me fórmula perfeita
Diga-me teu segredo
Confia a mim seu medo
Estou perdido nos carbonos
Por entre grades e cadeias
Qual anel aromático
Formou esse ser tão mágico.

                                                           Jacques Manz

 (Minha queria amiga Khice do curso de Farmácia)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A arte de ler


O que seria das palavras se ninguém as lesse? O que seria da leitura se não fosse à sensibilidade? As palavras sozinhas seria um agrupamento de símbolos sem sentido. E a leitura pela leitura seria uma obrigação fadada ao esquecimento. A sensibilidade eleva a patamar divino um conjunto de letras, e na ausência desta seria como ler algo em Russo, para mim não teria efeito algum. Peço-te sensibilidade leitor. Sinta o peso de cada palavra. Ou melhor, perceba no jogo das palavras, perceba no meio dito, perceba nas entrelinhas, esqueça o obvio, esforça-te para perceber o que deixo oculto. No dia em que sentires o que um escritor oculta entrarás na alma dele. E imediatamente começarás a escrever. E todo o dia sentirá a necessidade de ocultar algo para ter alguém penetrando em tua alma.
Sensibilidade! Escrever é uma arte. Mas, ler pode ser uma arte ainda mais rebuscada. Sem a arte de ler, sem a entrega total àquilo que se apresenta num texto, de qualquer gênero, não haveria o impacto que se espera em uma leitura. Isso é traumatizante para qualquer escritor.
Sensibilidade!
Quando me perguntam:
- Como você conseguiu escrever algo tão lindo?
Eu prontamente respondo.
- Eu apenas agrupei as palavras sua sensibilidade deu vida a esse agrupamento e tornou lindo.
- E como você conseguiu agrupar tão bem?
- Simples. Porque acredito que num universo de milhares de pessoas, ao menos uma terá a sensibilidade para captar e tornar os símbolos em arte. No dia que eu desacreditar nisto, paro de escrever.
O escritor tem seus méritos. Mas, dedico maior mérito a você que me ler e está sensível ao que escrevo.
Sensibilidade.

                                                                                             Jacques Manz


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Vai e volta: balanço de rede


Retrato na parede
Parede na memória
Memória no esquecimento
Onde morreu o sentimento?

Sentimento fotografado
Fotografia corroída no tempo
Tempo bom esquecido
Amor eterno falecido.

Desfalece junto minh’alma
Alma penada partida
Perdida, pena da alma
Amor noutra vida meu carma.

Carma na alma
Alma no retrato da parede
Parede furada, quadro torto
Amor esquecido é amor morto.

Ressuscita minh’alma
Amor morre e amor nasce
Novo retrato na parede
Amor vai e volta
Num balançar de rede.

                                      Jacques Manz 




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Caos no cais

Caos da madrugada
Cais de navios naufragados
É sua ausência
É minha demência.
Caos nos portos
Cais de mortos
Amores afogados
Amantes alagados
É sua covardia
É minha melancolia.
Caolho sentimento
Por cá olho e lamento
É sua frieza
É minha destreza
Bagunça nas gavetas
Livros amontoados
Coração desordeiro
Olhos assustados
É sua indiferença
É minha crença
Caos nas gavetas
Cais de livros
Perdido em mim
Vivendo em tribos
A leitura me resgata
É sua voz pacata
É o nó de minha gravata.
É o nó na garganta.
Na madrugada a gaveta é meu porto
Nos livros navego morto
O caos e o cais se confrontam
Morto de sono
Porto de solidão
Navegando na madrugada
Esperando o clarão
Da manhã que é chegada
É sua desistência
É minha morada.

                                                          Jacques Manz



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Salva-me do amor


São Salvador
Salve Santo!
Salva-me da dor
Enxuga-me o pranto.
Salve Salvador!
De todos os santos
De elevador
Com dor não canto.
Eleva-me
Ave Salvador!
Cala-me
Salva-me do amor.
Santa Roma
Roma maldita
Deixastes-me em coma
Sorrindo com laço de fita.
Como te enganastes?
És supremo, és arte
Inverta-te Roma
Colocara-me pelo avesso
Sangrando na lona
Amor travesso.
Amor de gesso
Duro, seco, estático
Quase mágico
Sumiu do nada
Na cartola, a ferida
Roma falida.
Não destes a Luz
Nem me levastes a cruz
De desgosto fui morto
No dia do aborto
Prematuro
Julga-te maduro
És má, és duro
Inverta-te Roma
Império sem gênero
Foste efêmero
Amor de uma semana?
Amor que emana
Amor de romana.
Roma não
Salva-me Salvador
Livra-me do não
Salva-me do amor.

                                                           Jacques Manz


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

FESTIVAL

Uma vitória
Uma conquista
Em qual tragetória
Seria mais otimista?
Uma música de Leite
Ja mil vezes ouvida
Noite fria deleite
a multidão comovida.
Um casaco de abraço
Um abraço amigo
Detona em altas enlaço
almas arredias abrigo.
Não era Capital
Nem fúria de titãns
Meu pensamento inicial
Estava na terra do carnaval.
EH, meu amigo Charle
Meu amigo Charle Brown,
Eu aqui tão down
Uma cachaça me leva
Preciso fugir das lembraças
Para o outro lado do Atlântico me carrega...
Não mais me alimente de falsas esperanças...
As máscaras caíram
Não quero mais me enganar
Vou te ninar, te abraçar
Quando o corpo pede um pouco mais de alma
Calma, calma
Noite de sensação mil
Noite de lembranças de amor eterno
Dando adeus ao Brasil
Foi o festival de inverno

                                                     Jacques Manz


domingo, 22 de agosto de 2010

Outro ângulo

Hoje preciso cantar a vida. 
Admirar a manhã de sol, 
a beleza da margarida, 
o canto do pássaro em si bemol. 
O desenho de nuvem no céu, 
o sorriso da bela jovem, 
as crianças alegres no carrossel. 
Quero fechar meus olhos para os problemas, 
dizer adeus aos dilemas, 
e voar nas asas do vento. 
Dar amor, carinho, está atento, 
ser feliz e fazer alguém feliz. 
Tirar da pedra o leite, 
e do coração amargo o mel. 
Dar uma rosa de enfeite, 
e andar sem rumo, ao léu. 
Descalço sentindo a areia,
onde brota a semente.
Que ontem era polém levado pela abelha,
e agora aflora nos meus olhos contentes.
Olhos castanhos, vidraças de esperança
que refletirão um novo ângulo poético.
Transbordando amor puro de uma criança,
inocente, sorrindo, ainda que patético!
                                            
(DAVI, meu afilhado)
                                                                                                                  Jacques Manz

sábado, 21 de agosto de 2010

Eu queria ser...


Eu quero viver nas alturas,
Eu quero conhecer a profundidade,
e presenciar na manhã escura,
a lua de sangue minguando fatalidade.
Eu quero ser a imensidão do mar,
Eu quero um dia ser grão de areia,
nas muitas águas me afogar,
e ser destruído pelo canto da sereia.
Eu quero ser a árvore cortada,
Eu quero ser a serpente e me engasgar com meu veneno,
por entre os caminhos vou para o nada,
me encontrando e me perdendo neste mundo tão pequeno.
Eu quero ser a revolta do vento,
Eu quero ser a tempestade no deserto,
enterrar meu sonho, meu pensamento,
e fugir desse destino tão incerto.
Eu quero ser a peste que mata,
Eu quero ser a desgraça que assola,
dizimar o amor fingido que ata,
numa prisão de solidão que sufoca e vai embora.
Eu quero ser o pessimismo do poeta,
Eu quero ser o canto triste dos artistas,
e na harmonia melancólica e discreta,
exterminar sentimentos egoístas.
Eu quero ser a alegria da morte,
Eu quero ser a dor da vida,
gemer a aflição de nascer sem sorte,
e a amargura de uma infância perdida.
Eu queria mesmo, pelo arco-íris ser colorido,
Eu queria mesmo, nascer de novo como o amanhecer,
olhar o jardim e contemplá-lo florido,
ver a última pétala cair na esperança do fruto nascer...
Eu queria ser...

                                                                         Jacques Manz



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Alma pedaço do céu

Algodão Azul
Alma doce
Algodão de mel
Alma de aluguel.

Alma de algodão
É cedo alma
Melaço de lama
A pocilga lhe chama.

Chama de algodão
De fogo que fosse
Algodão doce
Foi-se, foi-se...

Suína alma
Banha-te na lama
Mala de reserva
Cofre de minerva

Alugo minh’alma
Doce de lama
Suja de mel
Alma de deusa
Pedaço azul do céu.



                                          Jacques Manz

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pérola do mar

Invade mar...
Faz do meu coração tosco
Zona de arrebentação
Refletido num espelho fosco.
Quebre-o ao meio no raso.
Dê-lhe caldos,
No banco de areia.
O seduza com o canto da Sereia.
Prenda-o num recife de coral,
E não o solte nem por vendaval.
Uma caravela
Um barco a vela
Aceso queimando as águas.
Água quente, águas frias
Águas salgadas.
Lágrima doce, lágrimas em fatias
Lágrimas amargas.
Somos assim, o mar e eu
Uma gota de lágrima
E um oceano de dor
Um choro de lástima
Uma marola de terror.
Espumante, águas festeiras
Hipnotizante, água feiticeira.
Fragilidade na vazante
Águas berrantes
Força na preamar
És dissipativa, és reflexiva
Pensa em mim, vem a mim mar.
Vem mimar
Vem me amar
Um segredo, um tesouro
Não sou prata, nem ouro...
Sou pérola na concha do mar.

                                                                   Jacques Manz




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Notas musicais

Canto de uma nota só
De canto assim tão só
Desafinando só, no fá
Engolido por um estofado cifrado
Estou no fado
Nas cordas vocais o fardo
Melancolia, solidão do sol
Grito, você cai em si
Enquanto a nota era sol.
Sol que brilha e queima
Sol que grita e modula
Brilho modulado
Grito queimado
Queima em dó
Brilha em lá
Afina ao meu la-do
Sub-tona em mim
Toca em mi
Passeia em ti
Cante em qualquer nota
Vocalize encantamento
Dê som ao meu tormento
Canto de uma nota só
Falta o ré...
Olhe para trás, volte
Canto numa nota só
Só a própria sorte...


                                                         Jacques Manz

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mariposa, Mariposa



Diga a ele onde pousa...
entre craps e morangos,
meu amor colorido
piscina de fandangos.

Sua Costa Azul,
Uma noite sem perfume,
Navegar no Chico...
Um plantão e você some.

Um bip diz não,
minha batida diz sim,
Quem mandará no coração?
Você não pode desistir de mim.

Um sonho abençoado,
por todos os santos,
Singelo como voou da mariposa,
Tu sabes onde meu sentimento pousa.

O dia te leva,
A noite lhe traz
A vida me nega,
Meu amor lhe faz,
entender...
sentir...
perceber...
é lindo o que sinto por você.

                                                Jacques Manz

sábado, 14 de agosto de 2010

O que poderia ter acontecido?


Hoje resta a ti a dúvida. Amarga-te a interrogação ou talvez pior, as reticências. As lembranças devem te beliscar todos os dias. Mas, o pior dos teus pensamentos arde na inquietude de saber como poderias estar agora se estivesses ao meu lado.
Lembra-te dos beijos? O meu beijo! O seu preferido, de movimentos de língua, no qual se percebia cada movimento. A sensação única do toque do meu nariz em seu rosto. Eu sentia o cheiro do rosto, o gosto da sua boca, da sua saliva. Sempre em movimentos delicados para perceber-lhe o cheiro, abrindo os olhos por segundos, pois adorava ver-lhe "adormecida" a beijar-me.
            E neste momento? Como se sente agora? Vejo-te perdida! Sinto-te em desordem consigo mesma, como se cada passo do seu caminhar não fosse mais sonhado, é árduo, é penoso.
            Falando em sonhos... Lembra-te deles? Todos os que arquitetamos? Todos os planos, as viagens... Horas e horas rindo abraçadas construindo uma vida feliz, um percurso invejável. Qual destes já era para termos cumprido?
            Ah! Agora olhas-me a mim. Contempla-me... Admira-te... Inveja-me... Tortura-te... Enlouqueça... SOFRA.
            Eu sim posso afirmar com eterna convicção que tenho um novo amor, um amor de verdade, um amor que me traz felicidade. Um amor e não um fardo. Tenho um lindo amor, que me leva as estrelas, que me faz sonhar de olhos abertos, que me faz realizar! Não somos meros planos e projetos. Somos realidade, somos prática, somo vidas que se completam, somos uma a extensão da outra.
            Como desejo-te o mesmo. Ah! Como queria ver nos seus olhos a verdade deste seu amor. Como gostaria de ver no seu sorriso sua plenitude, sua satisfação, assim como era em nosso tempo. Quem sabe este não está por aparecer-te?
            O livre arbítrio! Sim o temos. Mas, fizemos escolhas diferentes. E hoje colhemos os frutos de nossas escolhas. Os meus estão maduros, saborosos, sem nenhum agrotóxico. E os teus? De que tens se alimentado? Vejo-os em caixotes velhos, estão apodrecendo com moscas ao redor, com mau cheiro.
            Lembrarás de mim até a morte. Sonharás comigo, chamarás meu nome dormindo, gozarás achando que sou eu quem te toca. Da forma que você gosta de ser tocada.
            O que poderia ter acontecido?
Como estaríamos agora? Como estaríamos vivendo? Como? Como?
Isto verdadeiramente não me incomoda... Você estragou tudo! Você me perdeu para sempre.
Isso não representa-me NADA.

                                                                                Jacques Manz

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Experiências

Morava em terra árida. O solo rachado denotava a ausência d’água. Como amava aquela terra, não a trocaria por nenhum lugar do mundo.
Fui levado a terras estranhas. Lugares frios, tanta chuva, meu Deus como pode? E logo me apaixonei por esse lugar e esqueci como brilhava o sol.
Comia feijão e arroz, oh trem bão sô. Com aquela farinha torrada, amarelinha então... Não tem prato melhor.
Fui levado a comer caviar. O impacto foi certeiro. Mas que sabor! Apreciei e logo descobri outros sabores tão perfeito quanto o feijão com arroz.
Bebia água da cisterna. Coisa melhor não tinha em minha terra. Já saía geladinha. Não deve ter noutro canto nada igual.
Conheci a água mineral, e descobri que existia sim.
Só tomava sorvete de chocolate. Todos da sorveteria já sabiam. Já vem o carinha que pede três bolas de sorvete de chocolate com calda de chocolate. Era o meu preferido, sabor inigualável.
Certo dia, misturei: ameixa, creme, e graviola. Nossa! Que estranho. Calda de caramelo, por favor. Todos ficaram atônitos. Ninguém acreditava. Como uma pessoa que há pouco tempo idolatrava o chocolate, agora nem o cheiro lhe fez diferença.
Conheci seu amor...
Não posso usar nada para comprar. Oh como era feliz. Sabia que jamais seria feliz daquela forma. E cada vez mais me entreguei, e vivi você, vivi pra você. Seu amor era fonte de alimento, de inspiração de vida.
Conheci outro amor. Agora pasme você! Não te vejo... Não te escuto... Não sinto seu cheiro... A música não é mais sua, o sorriso mais belo não é o seu. Por que nos prendemos tanto a coisas tão pequenas, como se elas fossem perfeitas, insubstituíveis, únicas...
Posso sim amar outra vez, posso sim viver tudo de novo, posso tomar águas variadas, viver em terras distintas, comer dos mais variados pratos e ser feliz. E a você quem eu amo agora, amanha é outro dia. As horas mudam, os dias mudam, as estações mudam... E a cada estação sou agraciado por uma nova experiência. Um novo som, um novo sabor, uma nova cor.
O que impede de irmos além é colocar na cabeça que nossa “realidade única” é a melhor e que nada no mundo se compara àquela vivência. Hoje vivo bem sem o sol forte, sem o feijão com arroz, sem a água da cisterna, sem você.
Nada disso me faz falta. As recordações se perderam. Sou um CD virgem, pronto pra gravar outra história.
A graça da vida está em provar, em testar, em usar, em mexer em entender que a felicidade é um estado de espírito que independe de lugar, comidas, bebidas ou pessoas.
Está aqui dentro... Está aí dentro...
Ouça uma nova música
Leia um novo livro
Veja outro gênero de filme
Ame, ame, ame e ame... Pois cada amor traz sua marca e a soma dessas marcas corrobora com uma história nada piegas.

                                                                                                      Jacques Manz




quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fui assaltado...

E amanhã??

A impunidade corre sobre duas rodas,
Com máscara no rosto e covardia nas mãos,
Ou serão as oportunidades remotas,
Que ferem o povo no momento da exclusão?
A quem diga que seja falta de vergonha na cara,
E que a violência precisa acabar,
Mas, a corrupção não pára,
E o cidadão trabalhador é quem tem que sustentar.
A farsa dos coitadinhos sem perspectivas,
Que enxergam no crime a facilidade,
De ter o que é meu, culpando a falta de alternativa.
Ferindo e matando. Oh desculpe foi uma fatalidade!
E minha esperança morreu no lugar certo,
Hospital, necrotério e pra o cemitério se foi,
Enterrada junto à injustiça, bem perto,
Mas, meus sonhos não levaram, pois,
Em minhas mãos tenho a capacidade de reconstruir,
Estudar, trabalhar, comprar em 10 vezes,
Com a consciência limpa, e honesto seguir,
Questionando-me como serão os próximos meses!

                                                                           Jacques Manz

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TAÇA DE CRISTAL




Um copo d’água. Um corpo d’água. Um corpo molhado. Eu nadando no copo.
Eu suando junto ao corpo. Pele com pele. Copo de vidro.
 Costas arranhadas. Copo quebrado na madrugada.
Um corpo de pele. Arranhado com
o vidro do copo.
Madrugada
nada
quebra
Meus
pedacinhos,
junto e
 colo.
         Deitado em teu colo.  Colado o corpo e o copo.
       Meu amor sensível e fatal.Transparente taça de cristal.

                                                                                                 Jacques Manz


Mundo de Futilidade




O mundo vive em crise,
Perdeu sua identidade,
Nada supera a aparência,
Nadamos na superficialidade.

Cultuar o corpo é preciso,
A beleza é fator determinante
Ser ou não ser estou indeciso,
Imagem obscura no espelho farsante.

O cabelo da mulata é duro,
E a loirinha deu escovinha
Piercing no umbigo te juro,
O silicone exibe a mocinha.

Aquele rapaz usa maquiagem
Corpo perfeito todo dia na academia
Metrossexual é sacanagem,
E o magrinho hoje é anomalia.

Botox, pranchinha, lipoaspiração,
Mega-hair, hidratação, plástica facial,
Acupuntura, ioga, musculação,
Spar, depilação, bronzeamento artificial.

A modelo tem que ser esbelta,
O vendedor, light sem colesterol,
Meu intelecto, inútil alerta,
Consolo pra feio é ser jogador de futebol.

Com dinheiro o feio fica bonito,
E nem precisa transformação,
Contudo maior é minha necessidade,
Nesse mundo de futilidade.

                                                     Jacques Manz

    

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Boneco de neve


Branco de Neve
derreteu-me em segundos.
Boneco me leve
guarda-me em teu mundo.

Boca vermelha
anjo das nuvens.
Aguça minha centelha
voando nú vens.

Boneco de neve
gelo branco.
Esculpido à mão
fofo e tanto.

Boneco de Neve
congela esse momento
 Branco de pele
eternizo-te no tempo.

                                                                                  Jacques Manz





MEDO


Ao olhar a imensidão do universo, admirado tive medo. Ao perceber o tempo passar, e, contemplar minha face enrugada no espelho, mais uma vez espantado o medo me sobreveio. Ao ouvir a sinfonia da orquestra de metralhadoras na favela, assustado eu tive medo. Ao ver a criança padecer com câncer eu tive muito medo. Ao deparar-me com o novo, inseguro tive medo. Quando o amor chegou a mim, impotente tive medo!
Oh medo!
Oh minha falta de fé!
Minha fraqueza vestida de segurança. Minhas incertezas transvertidas de maturidade!
Por conta dele, não percebi que as estrelas brilhavam, e que o sol nos alimentava diariamente de vida. Não percebi que com minhas rugas vieram à experiência e uma linda história para contar. Não fui capaz de ir as ruas gritar por paz. Não dei a palavra de ânimo e o carinho que a criança precisara. Não vivi o novo, e o novo era a não estagnação. Era o (re) começo de um ciclo.  Era a prova de que eu permanecia vivo. Por conta do medo não permitir viver o amor!
Lástimas, dores, lágrimas poderiam aparecer a qualquer momento. Mas, risos, carinhos, cuidados e uma linda história também estavam por chegar.
Quatro letras tomaram conta de mim, ficaram maiores que eu. Cegaram-me, deixaram-me engessado numa caixa de vidro e alimentava-me todas as manhãs com as lembranças, era o que tinha para comer.
O medo dizia-me todos os dias:
- Você precisa se proteger. Guardar suas emoções. Cuidado para não sofrer.
 E por isso, não sofri, mas, também nada vivi.
E o que é a vida senão a mistura de todas as emoções? A mistura da dor com o alívio, do choro com o riso, da força com a fraqueza, do sucesso e do fracasso, do amor e da desilusão, da chegada e da despedida, do começo e o fim!
Chega! Vai-te embora medo!
Do mesmo tamanho que você e muito mais forte é o AMOR.
E agora decido arriscar, me alimentar de cada sensação, e assim, viver. Viver a plenitude das cores, dos sons, dos sentidos. Viver cada segundo como se fosse o último pedaço de chocolate. Cada história como se a minha vida fosse uma antologia de contos e não apenas uma história linear, insossa e monótona.
“Vamos viver tudo que há para viver. Vamos nos permitir, pois não há tempo que volte amor”.

                                                                                                      Jacques Manz


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em sua órbita




Toca-me com seu olhar
Veja meu doce cheiro
Passeia em minha alma arredia
Seja meu amor primeiro.

Minhas mãos tocam o céu
Meus pés caminham firme sobre o mar
Abraço o universo por você
Em qual constelação estás?
Seu gosto de silêncio
Reflete em meus olhos surdos
Grita meu nome no vácuo
Eu apareço em segundos.
Desafio a física
Confusa é minha lógica
Giro e paro a terra por ti
Mas, não saiu de sua órbita.

                                                Jacques Manz


domingo, 8 de agosto de 2010

Em off

Aconteceu em off
Um toque em meu braço
Um toque na minh'alma
Sorria minh'alma.
Ainda que um sorriso tímido
Um beijo acanhado
Uma não coincidência
Um tanto de confidência
Estou amarrado.
E quem espera algo sábado a noite?
Espero você,
Espero seus afagos
Espero calibrar...
Calibrastes meus coração.
És de áries, és Leão!
És forte, és sensível...
És incrível!
Das Alagoas para Bahia
Em off...
Contarei um segredo!
Parece magia,
Não tenha medo
Dai-me mais um dia
Para provar meu querer...
Quero você!

Jacques Manz

Decifro-te


Remo rumo ao nada
Tropeçando em meus pés descalços
Calejados de amor
Ferida que machuca, calos de dor.

Não me calo em pensamentos
Boca calada, sabor amargo
Do nada remo meu rumo
Mãos atadas, nó inoportuno.

Nós entrelaçados cegos
Cegos somos nós entrelaçados
Parei de seguir o caminho
Amarrado a ti definho.

Dissolvo-me como o sal na água
Dissolvo-me em lágrimas
Desfazendo-me como o cair do dia
Tudo escuro sou melancolia.

Melodia confusa
Surdo, a ninguém escuto
Nossa música parada
Não mais toca, arranhada...

A vida e a teia da aranha
Caído lá estou imóvel
Decifro-te e me devoras
Deixo-te, vou indo embora.

           Jacques Manz